O olhar tranquilo e o sorriso constante nos lábios de José Thomaz Nabuco Neto deram lugar, ontem, à emoção. De olhos marejados, José Thomaz Nabuco Neto, de 73 anos, assistiu à inauguração de um busto em homenagem ao centenário da morte de seu avô: o político, jornalista, diplomata e historiador Joaquim Nabuco. O abolicionista foi lembrado, ontem, em sessão solene na Assembleia Legislativa (Alepe), casa que o escolheu como patrono. “Essa homenagem tem um sentido especial quando vem do Recife, cidade que ele amou primeiramente”, contou.
Joaquim Nabuco teve atuação política destacada e foi um dos primeiros a defender a liberdade religiosa. Escreveu diversas obras criticando firmemente as práticas escravocratas, às quais ele atribuía responsabilidade pelos principais problemas da sociedade brasileira. “Não há como ter uma preferência dentro da obra dele, mas se tivesse que destacar algum trecho, escolheria um artigo sobre o Recife publicado na revista Ilustração Brasileira”, confidenciou Nabuco Neto.
A iniciativa para a realização da homenagem partiu de uma comissão formada pelos deputados Augusto Coutinho (DEM), João Fernando Coutinho (PSB) e Raimundo Pimentel (PSB), que escolheu o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) e presidente da Academia Brasileira de Letras, Marco Vinicius Vilaça, como presidente de honra. “Essa Assembleia mostra novas relações com a nobre trajetória desse ilustre cidadão pernambucano. Joaquim Nabuco não aceitou, lutou contra essa mancha na história do País que foi a escravidão. Um incansável e exemplo de glória e de honra que foi esse grande parlamentar”, destacou o presidente da Alepe, Guilherme Uchoa (PDT). O governador em exercício, João Lyra Neto (PDT), também marcou presença na solenidade.